Após a queda histórica causada pelas medidas de isolamento social e proibição de aglomerações, a indústria do turismo começa a projetar a retomada das atividades. Na CVC, a maior operadora de viagens do Brasil, o tombo causado pelo novo coronavírus foi grande: entre abril e junho, as vendas de pacotes de viagem ficaram próximas de zero, segundo dados divulgados pela empresa nesta quarta-feira, 23. A fuga dos clientes dos aeroportos forçou as empresas aéreas a reduzirem os custos de passagens. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as tarifas doméstica recuaram 34,3% no segundo trimestre do ano. Para Leonel Andrade, CEO da CVC Corp, a gradual recuperação do setor vai forçar os preços para cima, e a partir de novembro os valores devem estar semelhantes aos cobrados no fim de 2019. “Do ponto de vista de custo e benefício, agora é a melhor hora para comprar passagem. Nunca tivemos um momento com preços tão bons, combinado com condições para flexibilizar as remarcações”, afirma.

O turismo doméstico, que representa 3 de cada 4 pacotes vendidos pela CVC, é o principal impulsionador da retomada. Na primeira quinzena de setembro, a venda de pacotes para destinos dentro do Brasil foi 45% do total registrado no mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas totais, somando destinos nacionais e internacionais, representaram 40% dos negócios realizados em comparação com os primeiros 15 dias de setembro de 2019. Até novembro, a expectativa é que o volume de negócio se aproxime de 80% do que foi registrado há um ano. “Sempre fomos a empresa que levou o brasileiro a conhecer o Brasil. Agora, esse número vai ser ainda mais forte, porque mesmo o público de classe A, que tradicionalmente viaja ao exterior, vai começar a viajar dentro do país. Quem era acostumado a passar as festas de fim de ano na Disney, agora vai passar na Bahia, por exemplo”, diz o CEO.

Se a busca por voos domésticos anima, a retomada dos destinos fora do país segue sem perspectiva. Segundo Andrade, mesmo que a incidência da Covid-19 esteja em queda em diversas partes do mundo, a volta do turismo internacional ainda é algo muito distante. “Mesmo com boas soluções sanitárias e de imunização, muita gente vai ter receio de viajar. Elas não querem correr o risco de estar fora do país e não conseguirem voltar por causa do surgimento de novos surtos.” O turismo corporativo, que é baseado em aglomeração e grande fluxo de pessoas, como feiras e eventos, também deve demorar para retornar ao patamar pré-crise. “São coisas que demoram muito tempo para serem organizadas, ninguém marca uma feira de grande porte para a semana que vem. Esse fluxo só vai voltar no segundo semestre do ano que vem, depois que tivermos a solução da imunização”, afirma Andrade.

Para o CEO, a tendência das novas gerações de preferirem investir em viagens do que em bens deve retomar com força no mundo pós-Covid-19. “Esse comportamento vinha em crescimento muito grande e foi interrompido bruscamente pela pandemia, mas o desejo não muda. Hoje, as pessoas ainda têm receio, quando elas perderem esse medo, vai ser algo explosivo, e o setor vai recuperar de uma forma muito rápida e forte”, diz. Segundo o CEO, nem mesmo as perspectivas de recessão econômica e permanência do dólar em patamares elevados no próximo ano irão derrubar a retomada. “Se a situação econômica fosse favorável, esse crescimentos seria ainda mais alto. Durante a crise dos anos 2015 e 2016, o setor continuou em crescimento, justamente por causa dessa mudança de comportamento.”